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Jornalistas x Rede Social pessoal

A opinião pessoal deve seguir regras nas redes sociais quando o assunto é a própria empresa onde se trabalha?

  1. O Twitter foi lançado em 2006, mas nos últimos dois anos (2010 e 2011) tem feito vítimas entre jornalistas brasileiros que publicam suas opiniões pessoais sobre as empresas em que trabalham. O primeiro caso a ter maior repercussão foi o de Felipe Milanez (@felipedjeguaka), ex-editor da revista National Geographic Brasil, da Editora Abril.

    Em um post do seu perfil no microblog, no dia 9 de maio de 2010, ele criticou uma matéria sobre o governo de Evo Morales na Bolívia publicada na revista Veja, do mesmo grupo editorial:
  2. O comentário é direto e bastante incisivo a respeito da linha editorial adotada pela publicação semanal.
  3. felipedjeguaka
    Veja vomita mais ranso racista x indios, agora na Bolivia. Como pode ser tão escrota depois desse seculo de holocausto? http://migre.me/D7WI
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  4. Dois dias depois (11/05/2010), Felipe informa em um novo post a notícia de sua demissão da empresa. 
  5. felipedjeguaka
    To destruido, muito chateado. Acabo de ser demitido por causa dessa infeliz conta de Twitter. Sonhos e projetos desmancharam no ar virtual
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  6. No início de 2011, em janeiro, outro caso teve destaque na imprensa e nas redes sociais: o do repórter fotográfico freelancer do jornal Agora, Thiago Vieira. Ele cobria as eleições presidenciais no Palmeiras (que elegeu Arnaldo Tirone), enquanto fazia comentários irônicos por meio de sua conta no Twitter - fora do ar desde o ocorrido.

    A diretoria do clube, acompanhada de seguranças, procurou imediatamente o fotógrafo para retirá-lo do centro de treinamento do time alviverde, e o Globo Esporte, da TV Globo, documentou essa abordagem nada amigável, que resultou em troca de agressões e empurrões.
  7. Globo Vídeos - VIDEO - Diretoria do Palmeiras se desentende com fotógrafo por conta de frase em rede social
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  8. Apesar de alguns veículos terem informado que o jornalista havia sido demitido, Sérgio Carvalho, editor de fotografia e responsável pela contratação de fotógrafos para a publicação, avisou ao Portal Imprensa que o profissional era freelancer na época e aquela já seria sua última cobertura. 

    De qualquer forma, Sérgio afirmou que "o incidente pesou negativamente em uma eventual efetivação de Vieira". 
  9. De acordo com matéria publicada no site IDG Now!, a diretoria do Palmeiras comunicou em seu Twitter uma restrição ao profissional: “Após ofender a torcida, o fotógrafo Thiago Vieira não trabalhará mais no Palmeiras. O jornal para o qual ele trabalha já foi comunicado".

    E o Agora confirmou, em nota na edição do dia seguinte, que Vieira não prestaria mais serviços ao veículo, além de reiterar que o jornal reprovava a atitude do fotógrafo e, também, dos representantes do clube.
  10. E um dos casos mais recentes em 2011 envolveu dois profissionais do Grupo Folha. Eles comentaram em seus perfis particulares no Twitter a cobertura da imprensa sobre morte do ex-vice-presidente da República José Alencar, no dia 29 de março.
     
    O então editor-assistente de política da FolhaAlec Duarte, e a repórter do AgoraCarolina Rocha, não mencionaram seus trabalhos nos jornais, mas foram demitidos. Eis a troca de posts descrita no Observatório da Imprensa:
  11. ‘Nunca um obituário esteve tão pronto. É só apertar o botão’ (Alec).


    ‘Mas na Folha.com nada ainda... esqueceram de apertar o botão. rs’ (Carolina).


    'Ah sim, a melhor orientação ever. O último a dar qualquer morte. É o preço por um erro gravíssimo.’ (Alec lembrando um erro Folha ao noticiar a morte do senador Romeu Tuma, em outubro de 2010, antes de ele chegar a falecer).


    ‘É nosso perfil pessoal e foi um comentário normal, não teve repercussão, retuítes, mas fomos demitidos mesmo assim’, disse Carol.

  12. Carolina comentou a história completa e a repercussão das demissões em seu blog, inclusive o e-mail enviado, no dia 3 de abril, à ombudsman da Folha, Suzana Singer, que criticou os comentários dos jornalistas e os considerou “inapropriados".
  13. Infelizmente (para a livre expressão), é um direito da empresa demitir um funcionário se considerar sua conduta inapropriada no meio digital, como explica o advogado Renato Opice Blum, sócio do escritório que leva seu nome, em matéria publicada no IDG Now na época da demissão na National Geographic.
  14. Mas alguns grupos de comunicação já têm suas normas de conduta para redes sociais, como mostra a apresentação do Comunique-se no SlideShare.

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