Belo Monte: desinformação e falta de debate
A repercussão e as polêmicas em torno da construção da hidrelétrica no Pará
- O bombardeio de informações e vídeos na internet sobre a questão da construção da usina de Belo Monte, no Pará, está contribuindo para desviar a atenção do que deveria ser um dos focos principais: como será feita a obra e quem está por trás disso. A entrada dos atores da Rede Globo para protestar contra a usina foi bem-intencionada, mas acabou por reduzir o debate e virou alvo de críticas daqueles que se dizem contra a manipulação da "mídia capitalista".
- Após o vídeo dos famosos, apareceram outros grupos, como o dos estudantes da Unicamp, que usaram a mesmo formato dos globais para contrariar as informações do vídeo inicial. O resultado foi um anti-debate (já que as partes sequer se encontraram), mais midiático do que informativo, para ao final propagandear que Belo Monte trará benefícios ao meio-ambiente e ao desenvolvimento do país.
- Na página do consórcio responsável pela obra, o Norte Energia, há um vídeo que mostra os "benefícios" que a obra trará. A tática foi mostrar as dificuldades em que vivem os habitantes do local onde será Belo Monte e como a chegada de um grande empreendimento melhorará as condições de vida local. De acordo com o vídeo, há 86 projetos destinados à população e à redução de impactos ambientais. Alguns deles, incluem a criação de peixes ornamentais em cativeiro, e a possibilidade dos índios escolherem os antropólogos que iriam estudá-los.
- Um repórter da Folha foi ao Pará, porém, ouviu os moradores locais, e relatou que os projetos estão atrasados e a população de Altamira está se multiplicando rapidamente e desordenamente com trabalhadores atraídos pela possibilidade de riqueza. A prefeitura de Altamira entrou com um pedido junto ao Ibama e ao Ministério Público Federal para suspender a licença das obras de Belo Monte. O argumento é que o consórcio não está cumprindo as condições para reduzir os impactos sócio-ambientais a que se propôs antes do início do projeto. A construção chegou a parar, mas já voltou ao ritmo normal.
Altamira decide pedir suspensão de Belo Monte; veja vídeoJornalista acusa de corrupção e espionagem o PSDB. RelógioDiversos modelos, a partir de R$ 31,90 TabletA partir de 10x de R$ 41,90. Confi...- A questão é que o Brasil tem um problema que é a necessidade de aumentar sua oferta de energia. De acordo com um relatório da Confederação das Indústrias, se o país crescesse mais de 4% neste ano (que não vai acontecer), a oferta de energia já ficaria prejudicada, aumentando o risco de apagão. Do lado das empresas, apesar das facilidades de um financiamento do BNDES que deve financiar grande parte da obra, várias construtoras pediram para sair do consócio como Galvão, Serveng, Cetenco, Contern e Mendes Júnior, que juntas detinham 6,25% de Belo Monte. Ao final, a estatal Eletrobras assumiu 49% da obra. Já a Odebrecht que inicialmente desistiu de participar do leilão, voltou a participar de Belo Monte.
- Recentemente, 150 trabalhadores foram demitidos do consórcio porque fizeram greve por melhores condições de trabalho. A previsão de conclusão é no ano de 2015. Enquanto isso, os protestos continuam. A ong Avaaz, após uma ação para pressionar a presidente Dilma Rousseff a parar a obra, organiza uma petição para tentar evitar que o BNDES seja o financiador de Belo Monte. A campanha está se espalhando rapidamente pelo twitter.
- Do outro lado, o movimento Xingu Vivo resiste à construção que mudará a região drasticamente. Eles juntaram diversos relatórios de especialistas que apontam os impactos econômicos, sociais e ambientais da obra. Entre os problemas levantados estão a ausência de estudos sobre o lençol freático, prejuízo econômico em decorrência do funcionamento sazonal da usina, perda de biodiversidade da região e subestimação dos impactos ecológicos, para citar alguns. Como a obra continua, o movimento continua protestando.
- Faltam mais propostas na questão da preservação da Amazônia e a necessidade de gerar riquezas. De acordo com Beto Veríssimo, um dos fundadores do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, a conservação é um desafio que exige a evolução do ser humano, que depende de nossas escolhas. Veja o vídeo neste link: http://www.oecoamazonia.com/br/data-amazonia/publicacoes/361-quando-a-decisao-final-e-de-compreender-a-floresta?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter


